Sunday, February 05, 2012

Ao Contrário do que se Diz

Ao contrário do que se diz por aí é muito fácil ser de direita em Portugal. A esquerda é tão dominadora que ser de direita é alguém colocar-se num círculo fechado e sujeito a uma constante pressão por todos os lados. É fácil: tal como um círculo, a direita é uma coisa muito bem contornada. É ser definido por uma força circundante e exterior. Essa força poupa energia a quem é de direita: a sua identificação não requer esforço.

O difícil é ser de esquerda: esta é tão abundante que ser da mesma é o mesmo que não ser de nada. É um universo demasiado amplo e que, não recebendo pressões, é rarefeito. Daí que ser de esquerda é pertencer a um muito muito grande, logo, é uma pertença muito pequena. Dizer que se é de esquerda é portanto dizer muito pouco, um quase nada.

Por outro lado, o círculo da direita é muito apertado. As pressões de fora empurram todos os que estão dentro gerando confusão. A direita portuguesa é confusa porque é misturada à força nesse círculo minúsculo. Tão confundida que acredita numa indefinida compatibilidade.

Mas abrindo esse círculo a outros limites, a pressão interna dilui-se e o círculo divide-se em sectores mais pequenos. Com mais ar, os sectores separam-se e as direitas esclarecem-se: identificam-se e, até, opõem-se.

Mais do que a pressão externa que define, o que falta à direita portuguesa é o ar que separa e clarifica. Por enquanto, a direita está ainda muito confundida. Mas também se diga que já foi pior - pelo menos para mim.

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