Tuesday, August 18, 2009

Onde Está a Política?

Na prática, e só a prática é que interessa porque não é no campo da teoria que as pessoas se movem, comem, bebem e recebem dinheiro - a campanha eleitoral para as legislativas de Setembro e para as autárquicas de Outubro já começou.


E o que é que há a registar dessa campanha a partir dos blogues e dos jornais? Duas coisas: (1a) muito confronto ideológico, muito debate acerca de onde colocar o separador esquerda-direita no meio do elenco dos partidos portugueses e outras questões desse tipo; (2a) muita discussão sobre casos de corrupção e casos de tribunal e questões ligadas à presunção de inocência e o estatuto do arguido.


E onde está a política? Quero dizer, onde está a política entendida não como novela de casos pessoais (quem é arguido e porquê, quem insulta quem) nem como discorrência filosófica sobre as diversas categorias ideológicas possíveis - mas sim política enquanto discurso sobre que objectivos nacionais concretos preferir, quais preterir e como atingi-los em concreto?


Em relação aos partidos políticos que já apresentaram programas eleitorais: porque é que estes programas são tão vagos nos objectivos, porque é que defendem a prossecução de todos os objectivos possíveis e imagináveis (alguém acredita que um governo de humanos consegue, em quatro anos, melhorar simultaneamente todos os sectores da vida de um país?) e porque é que nenhum destes programas explica em concreto o "como" desses objectivos: como é que se chega lá? com que dinheiro? com que alterações em quais parâmetros legislativos? E, já agora, qual o timing? Primeiro mês da legislatura? Segundo mês da terceira sessão legislativa?


Porque é que nenhum partido apresenta, em vez de um programa, uma calendarização dos projectos-lei a apresentar no parlamento, com um parágrafo por projecto-lei onde se diga em linguagem simples o que é que será proposto mudar, para que parâmetro e qual o resultado que se espera atingir?


A campanha eleitoral está cheia de listas de nomes, processos em tribunal, insultos que não levam a lado nenhum e também de questões de teoria política que são irrelevantes para a vida prática dos cidadãos. O pouco que sobra de política são "programas" compostos por colecções infindáveis de objectivos vagos que ninguém explica em concreto como serão atingidos.


Num país em que os problemas são muito práticos e a maioria das pessoas não beneficia minimamente das conclusões a que se possa chegar em termos da honestidade daquele ou da verdade do outro ou da probidade de um terceiro - o que é necessário é política concreta: que se resolva problemas em vez de discuti-los. Ou em vez de se discutir relatórios internacionais argumentando que estes suportam a conclusão de que os resultados são excelentes ou são péssimos.


O que é necessário é que se apresentem objectivos concretos e se explique como é que, muito concretamente, se pretende atingir esses objectivos.


A política em Portugal tem de passar menos por discussões filosóficas e questões de honra e tribunais e mais por uma acção com vista a resolver problemas. Chega de conversa inútil seja sobre arguidos seja sobre qual é a ideologia do partido x ou y: o que interessa é como resolver problemas. Isto é que é a política de que Portugal precisa.

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