Thursday, June 25, 2009

First Pictures of Two Thousand Nine

Firenze 01.01.2009
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Lucca 02.01.2009
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Lucca 02.01.2009
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Arezzo 04.01.2009
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Lago Trasimeno 04.01.2009
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Assisi 04.01.2009
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Assisi 04.01.2009
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Perugia 04.01.2009
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Firenze: Piazza S. Lorenzo 06.01.2009
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Orvieto 11.01.2009
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Orvieto 11.01.2009
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View from Monte Senario 14.02.2009
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Pictures of Estonia (viii) and Interesting Cities, Interesting People: Estonia (xx) February 2009
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Firenze: Scoppio del Carro 12.04.2009
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San Gimignano 14.04.2009
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Firenze: Santa Croce 16.04.2009
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Firenze: View from Giardini Bardini 16.04.2009
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Monte Senario 24.04.2009
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Livorno 26.04.2009
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Perugia 03.05.2009
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Assisi 03.05.2009
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Rimini 10.05.2009
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San Marino 10.05.2009
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San Marino 10.05.2009
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Rimini 10.05.2009
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Cinque Terre 17.05.2009
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Cinque Terre 17.05.2009
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Cinque Terre 17.05.2009
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Cinque Terre 17.05.2009
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Galleria Ferrari (Maranello) 31.05.2009
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Parma 31.05.2009
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Parma 31.05.2009
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Interesting Cities, Interesting People at Home: Lisboa (xxi) June 2009
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Rimini 14.06.2009
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(I have realized this blog has become a diary).

Monday, June 22, 2009

As Três Divisões da Sociedade Portuguesa ou a Inexistência de um "Centro"

O problema do PS e do PSD - os partidos do "centro" - é que a sociedade portuguesa tem uma divisão profunda e irreconciliável. E quanto mais dividida está menos sentido faz falar e pensar no "centro" e, portanto, menos sentido estratégico fará tentar seduzir esse "centro".


Portugal tem cada vez menos "centro" porque são cada vez mais notórias as diferenças de estatuto (direitos e deveres) e de estatuto social (a importância dos professores doutores vs. a falta de importância das auxiliares da acção educativa por exemplo) entre as duas principais componentes da classe média: os funcionários públicos e os outros.


A maior divisão social e política em Portugal não é entre "capitalistas e proletários", esquerda e direita e nem sequer (ainda) é entre católicos e esquerdistas: a maior divisão social e política é encontrada entre trabalhadores da função pública e trabalhadores do sector privado. E o contexto de crise económica internacional (uma conjuntura, isto é, uma coisa temporária) aliado ao contexto de crise das finanças públicas nacionais (uma "estrutura", ou seja, uma coisa que se tem mantido e arrastado há já cerca de 10 anos) - torna cada vez mais impossível fazer políticas que não afectem o estatuto (superior) dos funcionarios públicos ao mesmo tempo que se mantém o estatuto (inferior) dos trabalhadores do sector privado (que é só por si cada vez mais insustentável).


Ou seja, é impossível assegurar o apoio eleitoral de todo o centro porque já é financeiramente impossivel garantir os privilégios (salariais, de reformas, de estatuto profissional) dos funcionários públicos ao mesmo tempo que se conserva o já de si muito reduzido nível de vida dos trabalhadores do sector privado.


O tempo de Cavaco foi de expansão económica inflacionada pelos fundos estruturais europeus. O tempo de Guterres foi de expansão económica inflacionada por políticas pro-cíclicas. Foi possível satisfazer eleitoralmente as duas metades do centro e conseguir que o PSD obtivesse duas maiorias absolutas (1987 e 1991) e que o PS tivesse uma forte subida eleitoral de maioria relativa (1995) para uma quase-maioria absoluta (115 deputados em 230 em 1999). Mas há muito que esse tempo acabou e que a situação económica e financeira se agravou e muito.


Nas eleições legislativas de 2009, nem PS nem PSD conseguirão agradar a todo o centro. Aliás, a queda do "bloco central" nas eleições europeias (PS + PSD, ainda que tenha ocorrido uma subida do PSD) poderá já ser sintoma disso mesmo (com o cuidado de que numas eleições com uma abstenção muito elevada, qualquer interpretação vale sempre muito pouco).


Esta inexistência social e política de um centro uno é ainda mais relevante se à separação entre trabalhadores da administração pública vs. funcionários privados juntarmos a oposição entre gerações mais velhas que pagam rendas baixíssimas (muitas vezes nas zonas mais centrais das cidades) versus gerações mais novas que pagam prestações bancárias altíssimas para viver em subúrbios. Ainda se pode juntar a estas divisões aquela que separa pessoas com direito a reformas de 100% ou de 80% e aquelas cujo direito à reforma (e a uma idade da reforma) ainda nem sequer está fixado.


A grande dificuldade das estratégias eleitorais apostadas em conquistar o centro é tanto maior quanto mais coincidentes forem aquelas três grandes divisões: quanto mais típico for que o funcionário do Estado é também quem paga uma renda baixíssima para viver numa casa bem localizada e tem direito a uma reforma elevada, garantida e que chegará cedo ao mesmo tempo que o trabalhador do sector privado (com menos direitos) é também aquele que tem de pagar uma prestação bancária elevada para morar num subúrbio e isto sem ter a certeza de vir a usufruir de alguma reforma que lhe permita minimamente sobreviver - quantos mais coincidentes forem estas divisões sociais, mais impossível se torna conquistar todo o centro, isto é, as suas metades.


Mas isto não é só uma questão da dificuldade dos grandes partidos em obter votos. Isto também é uma questão da própria estabilidade social. Quanto mais a metade não privilegiada do centro tomar consciência da sua situação e, sobretudo, do facto que a sua pobreza relativa é a consequência do mais alto nível de vida da outra metade do centro - maior é a probabilidade de distúrbios sociais.


Portugal ainda é um país de paz e de segurança social (o mesmo não se pode dizer de França e da Grécia, por exemplo) porque os agentes agitadores recusam reconhecer estas divisões: a estratégia tanto de comunistas estalinistas como de comunistas trotskistas nunca foi a de dizer que os salários da função pública são injustos por serem mais elevados que os do sector privado sendo que é este sector que suporta financeiramente a administração pública. A estratégia de estalinistas e de trotskistas é de dizer que a condição social dos funcionários públicos é justa e até deveria ser melhor, o que não é justo é que os funcionários privados não gozem da mesma condição social.


Ou seja, a extrema-esquerda, que tipicamente dispõe dos mecanismos e técnicas de perturbação da paz e segurança (carros incendiados, violência, etc.) - no caso português até acaba por contribuir para a pacificação social: a extrema-esquerda nega a existência daquelas divisões (toda a gente deveria ter o estatuto de funcionário público - até porque toda a economia deveria ser nacionalizada... -, toda a gente deveria pagar uma renda baixa - até porque a habitação é um direito de todos, logo o Estado deveria dar casa a toda a gente -, toda a gente deveria ter uma reforma de 100% que chegasse bem cedo - porque, enfim, a riqueza cai das árvores...) ao mesmo tempo que perpetua as velhíssimas distinções teóricas e "académicas" da "luta de classe" (capitalistas contra operários) ou inventa novos conflitos pós-modernos (a guerra cultural contra o heterossexismo, o machismo, o europacentrismo, o ocidentalismo, os EUA e Israel e a favor do socialismos sul-americano e islâmico, etc.).


O aprofundamento de divisões leva portanto a uma perda da importância dos maiores partidos (do "centro") em favor dos pequenos partidos, por um lado. Por outro lado, os dois principais pequenos partidos portugueses (extrema-esquerda) recusam a existência de divisões. O resultado de todo este quadro acaba por ser tipicamente português: nenhuma grande alteração nas políticas concretas (nenhuma reforma do arrendamento urbano com efeitos práticos, por exemplo; nenhuma alteração profunda na prática no mercado laboral, outro exemplo) ao mesmo tempo que se regista a inércia, a passagem do tempo, a procrastinação das mudanças necessárias (por exemplo, as sempre-adiadas e frouxas "reformas estruturais").


Mas tipicamente português é também a revolução: às soluções que sistematicamente são adiadas (a solução para a guerra colonial, por exemplo) vai se contrapondo um acumular de insatisfação que acaba, normalmente mais tarde do que mais cedo, por explodir: rebenta uma revolução. No caso das três divisões do "centro" português, o relógio que define o tempo de explosão da bomba é a demografia. Na medida em que os partidos políticos quer os do centro (PS, PSD) quer os da extrema-esquerda (PCP, BE) não respondem a estas divisões, será a demografia a decidir se a explosão ocorrerá e, se ocorrer, quando.


A maioria dos partidos portugueses recusa-se, portanto, a fazer política, isto é, a optar: os partidos grandes (PSD e PS) continuam desesperadamente a tentar agradar às duas contrapostas metades do centro, enquanto que os partidos pequenos (PCP, BE) insistem em clivagens que não existem nem relevantes são. O que é muito triste, mau e inseguro para Portugal é que a consequência desta ausência de política é deixar a paz e a segurança sociais nas mãos da incerta e incontrolável demografia.