Wednesday, May 06, 2009

A Fraca Originalidade do Jornalismo em Portugal (iii)

Em Portugal, escrever um artigo de jornal é qualquer coisa como isto: um auto-intitulado "jornalista", sem sair da redacção do jornal, sem pôr os pés na rua e sem levar a sua cabeça, olhos e ouvidos até à realidade - lê jornais estrangeiros - e faz um resumo. E os jornais são sempre os mesmos: The Guardian e El Mundo.


Mais um exemplo aqui.


O "jornalista", depois de ler os jornais estrangeiros, isto é, depois de se inteirar do trabalho dos verdadeiros jornalistas - aqueles que escrevem sobre aquilo que testemunharam na primeira pessoa, sobre as respostas às pessoas que eles próprios entrevistaram, sobre os livros, exposições, filmes que eles próprios leram ou viram - o "jornalista" poderia, ao menos, pegar no trabalho do jornalista e tentar reproduzi-lo ou, ainda ao menos, o "jornalista" poderia entrevistar o jornalista sobre o trabalho deste.



Mas não. Nem isso: o que o "jornalista" faz é um resumo do trabalho dos jornalistas. Os jornalistas, do Guardian e do El Mundo certamente, trabalham. Os "jornalistas" do DN, do Expresso, etc. resumem.

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