Tuesday, February 17, 2009

A Fraca Originalidade do Jornalismo em Portugal (ii)

A 14 de Novembro de 2008, escrevi este post com o mesmo título. Agora, encontrei um exemplo perfeito do que escrevi.

Este artigo de jornal, de um suposto jornal de referência, aqui.

A autora deste artigo, que, suponho, se considerará "jornalista" e terá a sua carteira profissional de jornalista, mais não faz do que resumir uma notícia que leu no New York Times e outra que leu em The Independent.

Ou seja, nem esta jornalista se deslocou aos lugares a que se reportam as notícias lidas e sumariadas por si, nem entrevistou qualquer pessoa envolvida com essas notícias, nem o suposto jornal de referência português utilizou um qualquer repórter, enviado ou correspondente que pudesse, ele próprio, averiguar das notícias lançadas originalmente pelo New York Times e pelo Independent.

O jornalismo português é, em grande parte, e sobretudo em relação às notícias estrangeiras, e mesmo em relação a muitas notícias nacionais, isto: há uns supostos jornalistas que lêem jornais e depois descrevem o que leram: muitas vezes copiando e plagiando, outras vezes descrevendo e sumariando com as suas próprias palavras.

É isto o jornalismo português: um trabalho de copy-paste e/ou de plágio (trabalho?) e/ou de resumo.

E, como não poderia deixar de ser, as "fontes" são sempre as mesmas: o New York Times, o Guardian, o Independent e até muitas vezes o Sun. Jornais de qualidade e mérito muito variáveis: todos a matéria-prima para os "jornais de referência" portugueses. E todos, sem excepção, jornais que "look down on" Portugal. Todos sem excepção.

O jornal de escândalos e estupidez The Sun atira para o ar um rumor de uma espécie de meia-suspeita sobre uma eventual investigação sobre um português e os jornais portugueses auto-intitulados de referência fazem-se logo mensageiros de The Sun.

O intelegentíssimo New York Times sugere que o governo português é nacionalista só por querer conservar em território português uma componente do espólio de Fernando Pessoa e, ainda assim, os jornalistas portugueses não se cansam de o copiar.

The Economist, esse símbolo da intelectualidade yuppie, compara Portugal à América Latina, e os jornais portugueses, todos e em bando, publicam um ranking de ministros das finanças completamente ridículo e idiota.

É assim o jornalismo português.

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