Monday, September 15, 2008

Às Vezes Pergunto

o que seria de mim sem os jornais. Isto de ler os jornais - todos os jornais - depois de almoço sete dias por semana. É um gosto. Tal como o café e o chá, já experimentei, e com certa facilidade!, andar uns dias sem os frequentar. Depois regresso e há uma certa, mas esperada, desilusão: não sendo culpa deles, dos jornais, mas do mundo, está tudo na mesma. Uma semana inteira, duas semanas, sem os ler: regressa-se e eis que se regressa ao mesmo através dos mesmos, tudo na mesma. Mas ainda assim, vale a pena lê-los. Não é pois por ele, o mundo, que os leio, a eles, os jornais. Não, é por eles.

E eles que têm, afinal? Se não é o mundo que têm, para que servem? Têm o óbvio, o mais visível: letras e palavras. Para mim, ler jornais é apenas ler. É mais um prazer de leitura. E, a juntar a isso, há outra coisa, também em certa medida literária: o prazer da discussão e dos argumentos. E é preciso mundo, mesmo que seja o mesmo e imutável para haver discussão.

Para haver Dr. House não era necessário haver medicina mas teria de haver alguma coisa. Para haver jornais, talvez não fosse necessário haver mundo, mas mundo é o que há. Mundo é o que houve para eles existirem. E, diga-se com justiça, que este mundo imutável é ainda uma boa desculpa para haver jornais - e para nós desculparmo-nos por os ler.

Haja mundo! Haja jornais! E haja esses genes, células e tecidos magníficos: as letras, as palavras e os textos!

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