Thursday, May 22, 2008

Uno, Nessuno e Centomila

"Uno, Nessuno e Centomila" de Luigi Pirandello é um dos meus livros preferidos. É um livro inteligente e divertido. É um livro de génio escrito por um génio. E é dessa sua qualidade que resulta que qualquer pedacinho do livro é cheio de significado e, o mais curioso, de utilidade. Não me agrada nada que a arte seja útil mas há obras que são assim como que úteis para a vida.

Um, ninguém e cem mil ensina-nos que cada cara possui várias caras ou que cada pessoa é muitas pessoas. Quem eu sou para o X não é o mesmo que quem eu sou para o Y. E o X que o X é para mim não é o mesmo que quem o X é para outra pessoa.

E isto não tem nada a ver com as pessoas serem genuínas ou máscaras de si mesmas. Isto tem a ver com as pessoas, na sua absoluta autenticidade, serem de facto diferentes para com diferentes pessoas. E tem também a ver com o outro facto de que mesmo que uma pessoa fosse só ela, una assim seria, ela seria sempre diferente aos diferentes olhos de diferentes pessoas.

Agora, se juntarmos a multiplicidade que cada pessoa é para as várias outras à multiplicidade de uma hipotética mesma que seria vista por diferentes outras e se ainda juntarmos a mais que hipotética multiplicidade das máscaras - e multiplicarmos todas estas gentes que na carne são a mesma - então a ingenuidade de alguém que acredita que cada pessoa é igual com cada outra e que duas outras diferentes consideram igual a mesma e que cada uma a mesma cara sempre tem - essa ingenuidade, sendo autêntica, é absoluta.

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