Monday, October 08, 2007

É Chegado o Tempo e o Espaço Para os Dirliberais

1. Há muitos anos que o CDS-PP não é um partido mas sim um indivíduo com um conjunto de indivíduos atrás a apoiar. Mas houve uma fase em que o partido ascendeu e governou. Depois foi brutalmente derrotado e agora está em queda livre. Continuando a não ser um partido mas sim um indivíduo a caminho do fim político, é o desaparecimento do partido que já se vislumbra. A nível de poder local, o desaparecimento já ocorreu: apenas uma câmara municipal é governada por um membro do CDS-PP, por sinal um dos piores membros, aquele que por duas vezes fez equipa com os socialistas; em Lisboa, a principal autarquia do país, também já deixou de haver representação do CDS-PP. A nível parlamentar, o CDS-PP está já atrás de dois caixotes-de-lixo históricos.

Resta tão-só o mediatismo do indivíduo. Mas esse mediatismo, para além de competir agora com o mediatismo mais aguçado de um dos caixotes-de-lixo, já é demasiado gasto, demasiado previsível. Já toda a gente aprendeu a produzir sound-bites daquela maneira.

Portanto, o CDS-PP está já quase morto. Basta uma alteraçãozinha na lei eleitoral para fazê-lo desaparecer por completo.

2. O outro partido que supostamente é de direita, de centro-direita, alguma coisa a ver com direita ou, vá lá, no mínimo, não-marxista, o PSD, tornou-se agora declaradamente estatista, "keynesiano" (naquele sentido ignorante da palavra), paternalista. Resumindo: o PDS propõe-se ser o pior que o PS consegue (e tem conseguido) ser. O PSD está contra os liberais, está contra a economia de mercado, defende o Estado como única solução para todos os problemas do país, sem perceber que o Estado é a causa de todos esses problemas.

3. Tendo o CDS-PP desaparecido e sendo agora o PSD daquela esquerda que chega ao poder para destruir as finanças públicas e regredir nas reformas estruturais, fica um espaço aberto para um novo partido de direita. Ou melhor, para um (aparentemente único) partido de direita. E o tempo para esse novo partido é agora: quando há espaço, quando esse espaço ainda não foi ocupado pelos criminosos da extrema-direita e quando ainda há tempo para organizar e aproveitar a campanha eleitoral das próximas legislativas.

Com o desaparecimento dos democratas-cristãos/conservadores do CDS-PP e com o apagar do pouco de direita que havia no PSD, é AGORA o momento da ideologia de direita que falta e que traz a solução para o país em que o excesso de Estado e os excessos da mentalidade estatista são a causa de todos os problemas: a direita liberal.

4. A direita liberal neste sentido: liberdade de mercados, liberdade para as pessoas, COMPETIÇÃO e MÉRITO como valores por oposição à igualdade da inveja e da "mediocridadecracia". A direita liberal no sentido de compreender que as pessoas, em geral, não gostam de mudanças profundas e rápidas e que, em geral, as mudanças para melhor têm efeitos indesejáveis não previstos. A direita liberal temperada com o conservadorismo de respeitar a digna inércia das pessoas, não com o conservadorismo de que se uma instituição tem durado muitos anos, a manutenção dessa instituição é necessariamente desejável. Uma direita liberal que não seja a das touradas, dos fados e das aristocracias, mas sim a do respeito pela estabilidade da vida das pessoas.

5. E, já agora, uma direita liberal que compreenda com sensatez e de modo não politicamente correcto a posição de Portugal e da Europa no mundo mas que não caia na admiração quase religiosa por um determinado Estado. Os Estados Unidos da América são fundamentais mas o colonialismo e os impérios da direita devem tanto fazer parte do passado como os da esquerda.

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